Rio Fashion Week
Ana Rafaella Oliveira

por Ana Rafaella Oliveira

16 DE ABRIL DE 2026

A Normando apresenta referências da cultura amazônida em primeira pessoa, ancoradas nas memórias de quem nasceu e viveu boa parte da vida em Belém, no Pará. Com um repertório marcado pelas complexidades do Norte do país, Marco Normando e Emídio Contente propõem um olhar analítico sobre arte, tempo e existencialismo, a partir da natureza-morta, da poesia concretista e de uma arquitetura de influência déco.

Nesse percurso, não se perde de vista que a Amazônia segue sendo um espaço de exploração, quase na mesma medida em que sustenta tradições originárias. Na Normando, a natureza-morta se materializa no matapi, tipo de cestaria utilizado por populações indígenas para a pesca de camarão. Já o látex amazônico, presente em coleções anteriores, mantém-se como alternativa ao couro e como meio de impulsionar uma moda brasileira inovadora, alicerçada em práticas sustentáveis e locais. O material revela sua versatilidade ao ser aplicado em diferentes peças, como calças, blusas, jaquetas e vestidos.

A marca, assim, encontra vestígios de uma natureza que insiste em existir em territórios que um dia foram floresta. Folhas de açaizeiro envolvem as roupas; em outros momentos, a vitória-régia surge transposta em camisarias. A fibra de malva também se faz presente, em trançados que vestem o corpo.

Com esta coleção, a marca propõe a natureza-morta como testemunha. O uso da banana torna-se fio condutor dessa narrativa, ora em estado de apodrecimento, ora ressignificada e bem vivida sobre o busto de um top.

Coleção

Atmosfera

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